O que é Blockchain?

Introdução

Mas afinal o que é o blockchain?

(Tinha de ser não é? Este artigo é obrigatório)

Afinal o que é o blockchain?

O blockchain, em tradução literal é “corrente de blocos”, trata-se de isso mesmo, de uma corrente de blocos.

Blockchain é um protocolo de armazenamento de dados, este tem características únicas que permitem que esses mesmos dados permaneçam registados de forma segura e não corruptível. Todas a informação e transações estão registadas numa base de dados e esta base de dados encontra-se distribuída por uma rede de computadores – cada computador que faz parte da rede possui uma cópia exata desta base de dados.

Estrutura de um bloco:

De uma forma simplificada, cada bloco, é composto por:

  1. a função HASH do bloco anterior;
  2. METADADOS;
  3. transações;
  4. uma NONCE;
  5. o resultado do HASH do bloco.
  • A função HASH é um algoritmo que mapeia dados de comprimento variável para dados de comprimento fixo, podemos chamar-lhe como a “impressão digital” de um determinado conjunto de dados;
  • METADADOS são dados sobre outros dados;
  • NONCE é um número arbitrário que só pode ser usado uma vez;

O que torna o Blockchain único é o facto de não existir autoridade central, ou seja, ninguém consegue simplesmente apagar ou alterar os registos da base de dados (daí surge muitas vezes afirmar-se possuir as propriedades de imutabilidade (=”immutability“) e inviolabilidade (=”tamper proof“)

Blockchain é descentralizado, ou seja, trata-se de um protocolo que garante a total segurança de transações sem a necessidade de um intermediário.

NOTA: A terminologia Blockchain apenas surgiu após a publicação do paper de Satoshi Nakamoto no mailing list de criptografia mas ainda na sua versão ainda separada (Block Chain). No paper, Satoshi refere-se a blockchain como corrente de blocos (=”chain of blocks”) e ativos digitais (=”tokens”) como corrente de assinaturas digitais (=“chain of digital signatures”).

1. Sistemas Distribuídos, sistemas descentralizados e a Autoridade

Portanto, Blockchain não será mais do que uma rede de computadores ligada entre si e sem um servidor central? Não, isso é computação distribuída.

Computação distribuída já existe há algum tempo e consiste em separar um problema computacional em várias partes por forma a termos deferentes computadores a resolver cada peça do puzzle. O Blockchain é diferente pelos seguintes motivos:

  1. cada entidade participante possui uma cópia exata da base de dados;
  2. pela questão da autoridade.

Tomando como exemplo o sistema descentralizado Bitcoin, ninguém pode simplesmente alterar ou apagar dados e transações do histórico.

NOTA: Bitcoin Vs. Blockchain – Um dúvida que pode surgir com quem ainda está a dar os primeiros passos. Enquanto Blockchain é um protocolo de armazenamento de dados, Bitcoin é apenas a primeira e mais conhecida aplicação desse mesmo protocolo (uma criptomoeda ou criptoativo).

2. Consenso

A razão pelo qual tudo isto existe – o consenso. A questão da autoridade, neste caso, sobre a necessidade de existir um algo ou alguém que decida sobre a criação de novos blocos (como no caso do blockchain). O consenso é critico porque, sendo o protocolo blockchain descentralizado, não existe uma figura, organização ou servidor que decida sobre construção de novos blocos.

A Wikipedia define consenso como um tipo de acordo produzido por consentimento entre todos os membros de um grupo ou entre vários grupos [1].

O consenso, no seu sentido lato é a Governance – a forma de controlo e gestão. Esta pode ser imposta (como nas Ditaduras) ou com controlo mais distribuído (como nas Democracias), os métodos e níveis de controlo são distintos mas o objetivo é o mesmo, a existência de uma decisão quanto a uma escolha.

NOTA: Consenso ≠ Verdade – Por vezes deparo-me com associação da palavra consenso com a verdade o que não é correto. O que o consenso procura é, tal como o nome indica, chegar a um consenso. Nem sempre a decisão pode corresponder à verdade – objetivo do consenso é o de tomar uma decisão. (A pode transferir para B e logo depois transferir para C, se por falhas de comunicação a transferência de A para C for incluída em primeiro lugar, essa passa a ser a “verdade” para o blockchain e qualquer tentativa de registar a transação de A para B será posteriormente interpretada como tentativa de “gasto duplo”).

O protocolo Bitcoin foi o primeiro sistema a conseguir utilizar o consenso com sucesso, sem a necessidade de um intermediário e num sistema descentralizado. Desta forma, Bitcoin foi a primeira aplicação prática do blockchain.

No caso do bitcoin, o consenso é atingido através do Proof-of-Work (PoW, ou em tradução livre “Prova de Trabalho”) e por um sistema de incentivos bem definidos, que permite o seu funcionamento sem a necessidade de existência de uma autoridade central. Mas o Bitcoin é apenas a aplicação mais conhecida do blockchain, existem até à data 72 tipos de consensos descritos na Enciclopédia Token Economy. Terei todo o gosto em descreve-los um-a-um 😉

3. Segurança e Imutabilidade

Segurança é um tema que sempre foi muito mal tratado pelos sistemas centralizados. Diariamente temos noticias de roubos e alteração de dados. Então como o blockchain, sendo um sistema público e descentralizado consegue atingir algo que os sistemas centralizados nunca conseguiram? A resposta está na utilização extensiva da criptografia, funções hash e a combinação de chaves públicas e privadas.

“O protocolo blockchain e a sua descentralização definem o novo paradigma da ciber-segurança, onde não precisamos confiar em ninguém para garantir a segurança e a imutabilidade da informação. Assim, todas as indústrias onde o armazenamento e transação de dados é crítica, estão igualmente sujeitas a serem transformadas por protocolos blockchain.”

– José Figueiredo, INTRODUÇÃO À TECNOLOGIA BLOCKCHAIN

4. Tempo de Inatividade

Erro, página inacessível, timeout, tudo mensagens que ninguém gosta de ver quando tenta aceder a um determinado site. Uma das mais importantes funcionalidades do protocolo blockchain é a ausência de down-time.

Com os ativos do “mundo real” isso já não acontece, os bancos apenas estão abertos nos dias úteis, de segunda à sexta, entre as 08:30 e as 15:00 e muitas vezes quando temos um problema este apenas pode ser resolvido nestes períodos. Esta situação está longe de ser a ideal quando está em causa o recurso a ativos digitais.

  • os sistemas centralizados falham;
  • os servidores falham;
  • os nossos acessos falham;
  • estamos vulneráveis a ataques informáticos, engenharia social e erros.

no caso do blockchain, pela sua natureza descentralizada, se um computador da rede falha o seu efeito é imperceptível.


Fontes:

  • Blockchain Consensus Encyclopedia – tokens-economy
  • Introdução à Tecnologia Blockchain – José Figueiredo
  • Usage of the word “blockchain” – richbodo
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António Chagas
Sou gestor de comunidades relacionadas com as criptomoedas em Portugal e entusiasta da tecnologia blockchain desde 2016. A minha especialização é em criptoeconomia e a minha missão é promover a partilha de conhecimento sobre esta nova área em português
https://criptoeconomia.pt

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